quarta-feira, 19 de janeiro de 2011


UNIÃO NACIOANAL DOS ESTUDANTES: e seus antagonismos.
Governo do General Artur da Costa e Silva (1968)


Criada em 1938, a UNE (União Nacional dos Estudantes), teve uma grande e importante participação no processo político do país. Após sua fundação interviu diretamente na política defendendo não somente a classe estudantil, mas também interesses nacionais.

Em seu livro: “O Poder Jovem”, o escritor Artur José Poerner importante pesquisador da época, vai dizer que o período de 1947 a 1950, a UNE ficou sob a hegemonia dos estudantes ligados ao PCB (Partido Comunista Brasileiro). Nesta fase se destacou a luta em defesa do patrimônio territorial e econômico do Brasil. Exemplo disso foi à campanha intitulada: “O Petróleo é Nosso”, sendo esse um dos maiores e mais importante movimento da História do país.

No período houve grandes manifestações nas principais avenidas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e outros onde a UNE estava representada. Essa organização se opunha a concessão das jazidas petrolíferas para exploração de empresas estrangeiras.

Em 1953, Getúlio Vargas, então presidente da República, respondeu de forma positiva a esse movimento, com a criação da PETROBRAS – (Petróleo Brasileiro), empresa estatal com monopólio de pesquisa, refino e transporte do petróleo e seus derivados.

Já no governo de Juscelino Kubsticheck, podemos citar mais uma atuação da UNE; neste período lutaram contra o aumento no preço das passagens de bonde na cidade do Rio de Janeiro. A importância desse movimento consistia na necessidade dos discentes irem à universidade, haja vista que utilizavam o bonde, como meio de locomoção para chegarem ao destino, por ter menor tarifa que os ônibus. Essa campanha conseguiu paralisar todos os bondes e assim obteve êxito em suas reivindicações.

Em 1961 a 1964 no governo de João Goulart, anos que antecedem os governos ditatoriais, a UNE lutou pela democratização do Ensino Superior, ou seja, queriam uma participação dos órgãos colegiados, sendo que os alunos não tinham voz ativa. O movimento levantou a bandeira com a Greve de 1/3 e chegou a paralisar cerca de quarenta universidades em todo o país.

No Rio de Janeiro, 26 de junho de 1968, dias que ocorreu manifestações importantes contra a Ditadura Militar instaurada no Brasil contou com a  participação de estudantes, artistas, religiosos e intelectuais pelas ruas do centro do Rio de Janeiro. Esse movimento tem como titulo: “Passeata dos Cem Mil”, vigiada por cerca de dez mil policiais, foi marcada por momentos sangrentos da História do nosso país.





A passeata dos 100.000 iniciou às 14 horas, com cerca de 50 mil pessoas, número que dobrou em 1 hora. Depois da passeata, houve uma reunião entre o então presidente Costa e Silva e os universitários Franklin Martins e Marcos Medeiros, na qual foi solicitada a libertação de estudantes presos e o fim da censura.

No mês seguinte, o governo militar proibiu qualquer manifestação pública no país, o que gerou a prisão e mortes de vários estudantes. Em 21 de agosto de 1968, o projeto de lei de anistia aos estudantes foi rejeitado pelo Congresso. A legalização da repressão ocorreu através do AI-5, Ato Institucional nº5, em 13 de dezembro de 1968.

Mas a frente, a União Nacional dos Estudantes foi às ruas juntamente com outras instituições e políticos, no Movimento pelas Diretas Já. Reivincavam por eleições presidenciáveis de forma direta, lutando sem desfalecer pela democracia que hoje gozamos.

A UNE foi a maior expressão dos estudantes brasileiros, pois unidos puderam lutar pelos seus ideais e no mais que acreditavam, tendo efetiva participação direta em decisões do governo. Os governantes a viam como um importante grupo na sociedade, com respeito e admiração pela sua criticidade, os governos (os não ditatoriais) recebia-os de portas abertas, tendo uma relação de amizade, posteriormente ouvindo suas reivindicações.






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